Todas as manhãs, olho-me ao espelho, e vejo um reflexo de uma mulher que sou e gostaria de ser, respiro fundo e anseio que um dia essa mulher chegue, mas não com pressa, pois entretanto aparecerá outro prototipo de mulher, no qual não se enquandra comigo.
O que não sabes, é que esse meu reflexo te vigia, te deseja, como se podesses ser o meu futuro.
Mas ainda é demasiado cedo, sete e meia da manhã, ainda é tempo de guardar no silêncio a vontade de te querer.
Com medo, baixo o meu olhar do meu reflexo, lavo a minha cara, sinto àgua fria, a escorrer pelo meu rosto, como se fosse uma forma de acordar dos meus "futurismos".
Sim, "futurismos", é o que vai na minha mente.
Por enquanto, prefiro deixar de olhar para o meu próprio "eu", ficando à espera que dês um salto para o
outro lado da vida e sejas quem sempre sonhaste para que te vejas ao espelho como eu já te vejo, como tu és, não quem demonstras ser.